Venom’s Taste

Poderes psiônicos, cordas, serpentes e sacerdotes de Hoar. Soa como uma boa salada mas no fim das contas se mostra uma leitura razoável na constelação de livros de Forgotten Realms. Primeiro de uma trilogia, algo comum em se tratando de fantasia medieval, Venom’s Taste foi convenientemente lançado na mesma época que dois suplementos para RPG que tratavam exatamente de dois dos temas abordados, numa espécie de “venda casada” do mundo do RPG.

Venom's TasteE é ní­tida a influência desta estratégia de marketing. Alguns trechos, principalmente quando somos apresentados a algum elemento psiônico, parecem ser retirados diretamente do “Expanded Psionics Handbook”. Para o jogador de D&D não soa estranho quando dizemos que tal personagem é um paladino, mas chamar alguém de “psion” e ainda especificamos qual a subclasse do indiví­duo – se é um telepata ou algo do gênero – pode parecer um pouco forçado já que esse jargão não faz parte do vocabulário do jogador médio.

A trama é apresentada de forma bem direta, quando o personagem principal Arvin se vê as voltas com cultistas de Talona, a deusa do veneno e das doenças, e acaba dominado por uma Yuan-ti que também quer saber o que diabos aquelas pessoas cobertas pelas marcas da praga planejam para a cidade de Hlondeth. A ação é sempre rápida e ágil, já que Arvin tem menos de uma semana para entregar as informações necessárias í  mulher-serpente ou se ver sua escrava mental para o resto da vida.

Uma grande incongruência no livro é a relação dos Yuan-ti com o psionicismo. Em livros como “Serpent Kingdoms” fica implí­cito que os dois estão muito ligados, mas em “Venom’s Taste” o fato da Yuan-ti ser uma psion é retratado como algo raro e surpreendente. É compreensí­vel que a autora tenha escolhido esta maneira de abordar o tema em sua criação, e talvez até mesmo o editor tenha dado as instruções para que fosse escrito desta forma, pois o assunto é abordado aos pouquinhos, revelando as várias facetas do psionicismo uma de cada vez para não sobrecarregar o leitor com muita informação de uma só vez nem correr o risco de assumir um conhecimento prévio e deixar os não iniciados boiando no plano astral.

Uma coisa que não desceu muito bem para mim foi a influência esotérica usada para retratar os poderes psiônicos. Você parece estar assistindo a uma aula de ioga ou uma dessas aulas de ginástica modernosas e seus jargões de “guerreiro do sol” pra cá e “lótus de cócoras” pra lá. Eu particularmente prefiro um enfoque mais “Akira” para o psionicismo, e sempre imaginei os psions desta forma na primeira e na segunda edição do D&D. Mas com essa história toda de cristais da terceira edição, era de se imaginar que este caminho não seria o escolhido quando o tema encontrasse a forma de prosa.

No mais, é uma leitura agradável, os capí­tulos vão aos poucos fluindo melhor e você realmente fica curioso para saber como o herói da história vai se livrar do dilema da vez. A cidade de Hlondeth é bem descrita e acaba sendo a personagem mais interessante da história, com todos os seus cheiros, aromas e texturas. Deu até vontade de jogar umas aventuras por lá, quem sabe um dia meus jogadores não façam uma visitinha.

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