Entrevista: Steve Jackson

Qualquer veterano do RPG conhece Steve Jackson. Amado por uns, odiado por outros, o sistema GURPS é uma das suas mais populares criações, que ainda incluem o jogo de cartas Illuminati e o jogo de guerra Ogre. Saiba o que este fanático por música folk, jardinagem e peixes tropicais tem a dizer sobre o serviço secreto americano, seus jogos e a época em que andava por ai com roupas da idade média.

O GURPS foi o primeiro RPG publicado no Brasil por uma editora brasileira (havia um D&D importado de Portugal, mas era muito mais caro e difí­cil de se achar). Logo o livro se tornou o sistema mais popular do paí­s, a manteve a liderança por anos e anos. Steve Jackson era considerado o grande nome do RPG. Como é ser tão famoso e respeitado? Você tem essa mesma aura entre os jogadores norte americanos?

Minhas visitas ao Brasil foram fantásticas… era incrí­vel encontrar tantas pessoas que queriam me conhecer (e espero poder voltar algum dia). Apesar de ser bastante conhecido entre os jogadores daqui, a atmosfera no Brasil foi especial!

Durante a faculdade você dividia seu tempo entre wargames e o jornal dos estudantes. Que tipo de jogo você mais gostava, e que tipo de artigos o Thresher publicava?

Jogos da SPI (Simulations Publications Inc., comprada pela TSR em 1982)… artigos genéricos sobre a faculdade, como qualquer jornal de estudantes.

Alguém daquela época de jogador e editor tornou-se tão proeminente quanto você é hoje? Algum polí­tico, ator, jornalista, desenvolvedor de jogos?

Hah. Um deles é um investidor pesado no Vale do Silí­cio!

O que o fez participar da SCA (Society for Creative Anachronism)? Você se interessa pela idade média? Mesmo sem computadores e, pior, sem internet?

Acertou em cheio. A idade média é fascinante. Mesmo sem a internet!

A experiência na SCA ajudou de alguma forma nos jogos que você desenvolveu? Algum dos suplementos de GURPS menciona coisas que foram ensinadas por amigos da idade média? Eles possuem muitos jogadores de RPG em suas fileiras?

Sim, sim e sem dúvida!

O que o inspirou a criar jogos tão inovativos como Car Wars e Illuminati? De onde você tira as idéias para escrever esaas coisas?

Idéias são baratas. Testar e executar, isso sim é o que importa!

Já que mencionei o Illuminati, você se empolga com teorias de conspiração, helicópteros negros, pequenos homenzinhos verdes? Você assiste Arquivo X? Você assiste TV?

Eu não assisto TV, tenho medo. Eu acho teorias de conspiração divertidas, mas não acredito nelas. É mais divertido fazer outras pessoas acreditarem nelas.

O incidente com o serviço secreto americano o inspirou a criar algum RPG como forma de protesto?

Não um RPG… mas sim o jogo Hacker, que está para ser reeditado.

De volta ao mundo dos jogos, GURPS era genérico anos antes do sistema D20. O que você acha dessa iniciativa da Wizards of the Coast? Alguma vez já se perguntou o que teria acontecido se tivesse aberto seu sistema antes deles?

Não… eu acho que “abrir” um sistema não é uma boa idéia e produz uma grande quantidade de produtos inferiores. É também provável que leve a uma série de problemas legais a não ser que você o abra completamente – o que eles não fizeram.

Porque você teve essa idéia de um sistema genérico de RPG? Os sistemas disponí­veis na época atrapalhavam suas experiências como jogador?

Eu não gostava da idéia de ter que aprender um novo sistema para cada jogo que aparecia.

Que tipo de RPGs você jogava antes de começar a desenvolver os seus próprios sistemas? Você ainda senta ao redor de uma mesa com os amigos para rolar uns dados?

Eu jogava um pouco de D&D. Hoje em dia jogo ocasionalmente, normalmente em convenções.

Como você se define como jogador de RPG? Você se foca na personalidade do personagem, em táticas de jogo, em construir as melhores habilidades e perí­cias…

Personalidade e solução de problemas. A criação do personagem é emocionante antes do jogo começar, mas depois eu não gosto de pensar muito sobre os números.

O fato de você ser o dono de uma empresa de jogos afetou a maneira que você os aproveita?

Muito! Eu encaro as coisas de maneira diferente agora, e tenho menos tempo para jogar…

Porque se decidiu a começar seu próprio negócio no ramo de jogos?

Eu estava descontente com a maneira que os editores tratavam meus jogos, antes e depois de seu lançamento.

Você já visitou o Brasil antes, durante algumas convenções. Gostou do passeio? Um retorno está em seus planos?

Eu gostei muito de visitar o Brasil, e algum ano desses, sim, eu quero muito voltar!

O jogador brasileiro pode aguardar algo você nos próximos anos? Algum grande projeto? Jogos de computador?

Certamente espero que sim!

Por falar nisso, você joga através da internet? PbEM, Everquest, Ultima… O que você acha do Neverwinter Nights? Será o próximo grande lançamento do mercado de jogos?

Eu não tenho muito tempo para jogar pela internet, e os jogos que acabo jogando são em sua maioria de estratégia, não de RPG.

E, pra encerrar, uma mensagem para os fãs brasileiros!

Continuem jogando… e espero rever todos algum dia!

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