Entrevista: Drizzt em quadrinhos

Dia 12 de junho será lançada a primeira edição da minissérie que irá adaptar para os quadrinhos o primeiro volume da Dark Elf Trilogy. Homeland é o nome do livro e da revista, a história que nos mostrou a origem de Drizzt Do’Urden para os fãs de fantasia. Um elfo negro e estranho estre os seus, Drizzt se tornou um dos mais famosos personagens na ficção fantástica moderna, e é exatamente por isso que a Devil’s Due está empolgada com essa adaptação em quadrinhos.

Escrito por R.A. Salvatore, Homeland conta a origem de Drizzt, suas aventuras continuando em Exile e Sojourn, que também serão adaptadas em suas próprias minisséries em três partes.

Este projeto é possí­vel pois a Devil’s Due teve a sorte de obter a licença da marca Dungeons & Dragons, í  qual pertence este tí­tulo e o resto da série de livros de Forgotten Realms.

Dark Elf Trilogy“O projeto de Forgotten Realms veio direto de nossa relação com a Hasbro,” diz Josh Blaylock, presidente da Devil’s Due. “Tendo produzido quadrinhos de G.I. Joe com a licença deles nesses quatro últimos anos, estamos bem familiarizados com o seu processo de aprovação. A Devil’s Due vê um enorme potencial para toda a linha de Dungeons & Dragons, e a adaptação das histórias pelos mundialmente famosos autores que contribuem para seus livros. Este era o próximo passo em nossa relação com a Hasbro.”

Realmente o relacionamento continua a ser forte, com a Devil’s Due lançando a adaptação para quadrinhos das Crônicas de Dragonlance em Agosto. Eles também estão analisando a possibilidade para Eberron, além dos outros mundos de Dungeons & Dragons. “Se tudo der certo, nesta mesma época no ano que vem,” diz Blaylock, “teremos de três a cinco projetos de D&D em andamento, em um mix de minisséries, séries mensais, graphic novels e muito mais!”

Para o futuro imediato, porém, a Devil’s Due está focada na Dark Elf Trilogy. Andrew Dabb é o responsável pelo texto, se atracando com a adaptação que é lida e aprovada pelo próprio R.A. Salvatore. A obrigação de agradar Salvatore e a fervorosa base de fãs ao mesmo tempo pode parecer uma pressão enorme para alguns escritores, mas Dabb está bem familiarizado em lidar com e agradar fãs, sendo o responsável por escrever a bem recebida revista dos Ghostbusters pela 88mph Studios

O artista da Devil’s Due, Tim Seeley, está também calmo e confiante quando fala de seu próprio trabalho nesta adaptação. “Eu acho que estaria mais intimidado se não tivesse vindo de G.I. Joe, que tem um visual mais estabelecido ainda,” explica Seeley. “Eu peguei o que tinha aprendido com G.I. Joe. Pesquisei o diabo cada personagem, e então faço as coisas do meu jeito. Se todo der certo, fiz meu trabalho e minha interpretação vai ser próxima o suficiente para agradar o maior número de leitores possí­vel.”

Conversamos com Dabb e Seeley para saber mais sobre o trabalho deles nessa adaptação para os quadrinhos.

Vocês leram a Dark Elf Trilogy antes de entrar neste projeto? Se leram, quando vocês leram pela primeira vez a história, e o que os atraiu nela?

Dabb: Sim, já tinha lido a Dark Elf Trilogy várias vezes e tenho uma grande afeição por ela. Já o que me atraiu para ela, duas coisas vem í  mente: primeiro que é um grande, ví­vido e, de certa forma, perturbador mundo criado por Salvatore. O Underdark era diferente de qualquer outro mundo de fantasia que eu já havia encontrado. Em segundo lugar, o próprio Drizzt. Eu realmente adoro o fato do personagem ser um completo estranho em sua própria sociedade, mas este fato ser o que o permita se superar. Como eu, e a maior parte das pessoas, foi um estranho durante a adolescência (quando pela primeira vez li os livros) esse elemento de sua personalidade me tocou bastante.

Seeley: Sim, li quando eu era garoto, uns 15 anos atrás! Eu comecei a me interessar por livros da TSR através de Dragonlance quando eu tinha 11 anos. Era uma coisa cool para se ler na sexta série. Eu li Chronicles e Legends. Eu realmente gostava daqueles livros. Um dia eu fiquei sem livros de Dragonlance pra ler, e peguei Homeland. Eu me lembro vagamente de ter escolhido este livro porque ele era chamado de Elfo Negro, e Dalamar, o elfo negro era o meu personagem favorito em Dragonlance.

Dark Elf Trilogy

O que você gosta nas histórias de Salvatore com o Drizzt?

Dabb: O fato delas serem praticamente únicas no gênero de fantasia. A maior parte dos livros são focadas no enredo; eles são sobre a ação, diversos personagens e eventos que abalam o mundo. A Dark Elf Trilogy, por outro lado é mais sobre intrigas e as mudanças pelas quais Drizzr passa. Ainda há ação e as apostas são altas, mas elas não são voltadas para conquistar tesouros ou tronos ou outra coisa material. O prêmio verdadeiro, especialmente no primeiro livro, é a alma de Drizzt. Você não vê mais narrativas esotéricas como esta neste gênero, então é agradável que Salvatore não só tenha conseguido fazer isso muito bem, mas com tanto sucesso também. Eu acho que isso realmente mostra seu talento como escritor.

O que você gosta particularmente no personagem Drizzt Do’Urden?

Dabb: Uma das coisas que realmentegosto em Drizzt é que ele é um personagem que cresceu junto com os leitores. Nós o acompanhamos do seu nascimento (nesta Dark Elf Trilogy até ele se tornar adulto e pudemos vê-lo mudar com o tempo. Você raramente encontra isso em qualquer personagem literário, então foi um fenômeno muito interessante de presenciar.

Seeley: Eu sempre pensei que Drizzt me atraia do mesmo modo que o Homem-Aranha me atraia. Ele tinha aquela aura de renegado, o esquisitão, quase um “nerd”. Ele vive em um mundo onde ninguém o compreende, mas no fim ele sabe que está certo. Ele é um personagem muito centrado. E acho que também sempre gostei do fato do mundo de Drizzt ser uma tradução de como os adolescentes se sentem… que seus pais são malvados. Além de tudas essas coisas profundas, junte o fato dele ser um cascudo elfo de pele negra com duas grandes espadas, e você tem um vencedor.

Andrew, você tem a missão de consensar o primeiro livro da Dark Elf Trilogy em três edições de 48 páginas. Há algum tipo de planejamento prévio para garantir que você possa se manter fiel í  história e aos personagens? Como é essa preparação?

Dabb: Foi bem simples na verdade; eu apenas sentei e reli os livros enquanto fazia uma lista de todas as tramas e personagens principais. Então fiz um simples rascunho do que aconteceria em cada edição e comecei a escrever. Eu estava tão familiarizado com a história que não precisei pesquisar muito, a maior parte do material estava gravado no meu cérebro desde os 13 anos.

Condensar uma história desse tamanho significa que algum material precisou ficar de fora. Você está involvido nesse processo de decisão? Como é decidido o que fica e o que sai?

Dabb: Mark Powers, o editor, e eu tomamos as decisões sobre o que fica e o que sai. Basicamente, tudo que é importante para o desenvolvimento da trama principal fica; tudo que não é provavelmente sai fora. Infelizmente, cada vez que você pegar um livro com mais de 300 páginas e transformar em uma revista em quadrinhos de apenas 132 algumas cenas vão ser cortadas ou condensadas. Mas mesmo com essas mudanças, nosso foco está em manter o espí­tito e o tom da história. Nós estamos encarando esta adaptação com uma espécie de reverência, pois somos na verdade fãs.

Tim, o mundo e os personagens apresentados nessa história já foram retratados em ilustrações de outros artistas ao longo dos anos. Como você encara um projeto como este quando muitos fãs já tem na cabeça suas próprias idéias de como os personagens devem ser, seja na sua imaginação ou por causa de ilustrações que eles já viram?

Seeley: Eu realmente gostei das capas dos últimos livros e a arte relacionada, então eu descaradamente roubei o visual do Drizzt criado por Todd Lockwood. Se não está quebrado, não sou eu que vou consertar. Eu tentei mesclar cada arte que já vi até agora, seja de velhas ilustrações ou feita por fãs – onde quer que esteja – e introduzir no meu próprio conceito. Pose não ser o que todo mundo imaginava, mas eu acho que Salvatore está gostando, então me sinto menos aterrorizado.

Que outros desafios você encara como artista em um ptojeto como este?

Seeley: Bem, os prazos para esse projeto foram um pouco animais. As edições de tamanho duplo fazem com que o ritmo de trabalho seja frenético. Mas eu tenho ótimos arte-finalistas e grandes coloristas, então vai ficar parecendo que foi fácil. Mas quando eu tiver terminado com Homeland, vou deitar em uma praia e aproveitar o sol tanto quanto meu chapa Drizzt.

Se a Devil’s Due decidir adaptar mais material de Forgotten Realms, você tem algum favorito que gostaria de ver adaptado?

Dabb: Eu adoraria ver a Icewind Dale Trilogy em quadrinhos; é outra história de Drizzt, mas bem diferente no tom se comparada com a Dark Elf Trilogy. Eu acho que as duas se complementariam como quadrinhos.

Seeley: A Dark Elf Trilogy é a minha sagha favorita de Forgotten Realms… então vou estar satisfeito quando a tiver completado. Mas eu daria meu testí­culo esquerdo pela chance de desenhar Dragonlance Legends. Eu adorava esses livros quando eu era um moleque. Raistlin é um personagem incrivelmente interessante e desenvolvido, e aquela série realmente jogava com o fato dele ser um trágico herói/vilão. Além disso eu sempre tive uma queda pela Crysania… garotas morenas e inocentes até hoje fazem a minha cabeça.

Por Chad Boudreau

Publicado originalmente no site Comic Readers

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