Year One: Batman / Ra’s al Ghul #1

O “Ano Um” no tí­tulo desta minissérie em duas edições é um pouco enganador. “Ano Um” implicaria que esta seria a primeira vez de Ra’s al Ghul e Batman na dança de herói e vilão, da mesma maneira como houve um “Ano Um” com as primeiras aventuras de Dick Grayson vestindo sua fantasia vermelha e verde, ou Barbara Gordon em seu primeiro ano como Batgirl. Se você acha que será brindado com o primeiro encontro entre esses dois inimigos, você terá uma surpresa. Essa minissérie recebe este nome pois a história se passa no primeiro ano depois da morte de Ra’s al Ghul.

Year One: Batman / Ra's al GhulRa’s al Ghul, o vilão que está para o Batman assim como Lex Luthor está para o Super Homem, morreu, de verdade (está tão morto quanto qualquer um pode ficar em se tratando de quadrinhos), em Batman: Death and the Maidens. Esta minissérie em nove parte passou despercebida porque a DC pouco a promoveu, focando seus esforços de marketing em revistas como Batman: Hush, Identity Crisis e JLA / Avengers. Death and the Maidens foi definitivamente uma série digna de ser lida. Escrita por Greg Rucka e ilustrada por Klaus Janson, contou a história da última tentativa desesperada de Ra’s al Ghul em impedir Bruce Wayne de continuar com seu plano de comprar e desenvolver toda terra onde os poços de Lázaro podem ser encontrados. Com isso Wayne estava lentamente assassinando Ra’s al Ghul, ou pelo menos era isso que ele dizia para Bruce. Além disso, Greg Rucka mergulhou no psiquê de Bruce Wayne, dando ao personagem a chance de reavaliar a promessa que fez para seus pais. Fazendo isso, uma guinada foi dada no personagem do Batman. Ao explorar sua própria tristeza, Batman compreendeu que ele não mais faz o que faz pela dor que sente pela perda dos pais. Ele veste a capa e o capuz porque ele escolhe fazê-lo.

Nada disso, fora a morte de Ra’s al Ghul, é mencionada na primeira edição de Batman / Ra’s al Ghul, mas conhecendo esses detalhes aumentarão a diversão do que se segue. Se passou um ano desde a morte de Ra’s al Ghul. Batman recebe uma carta na batcaverna, uma carta de Ra’s al Ghul. Foi escrita antes de sua morte, no caso dele não conseguir persuadir Bruce Wayne a abandonar seu plano. Através desta carta somos apresentados a uma série de flashbacks dos dias de Ra’s al Ghul no Japão antigo, buscando o caminho para a imortalidade mancionada em algumas lendas locais. Ele descobre a verdade em um desses lugares. Esta revelação ele compartilha com Batman, na esperança de que o homem-morcego entenda como ele estava ferindo o planeta Terra ao destruir os poços de Lázaro.

Gail Simone está no comando do texto aqui, e devo dizer que ela produz um de seus melhores trabalhos nessas 48 páginas. Não tenho certeza se ela lidou com Ra’s al Ghul antes, mas ela acerta em cheio em sua caracterização, tanto do Ra’s al Ghul que conhecemos em Death and the Maidens quanto o “jovem”, arrogante e algumas vezes ousado, porém metódico e determinado Ra’s al Ghul em sua busca no Japão feudal. Ela lentamente revela sua história através da carta de Ra’s al Ghul, que no decorrer desta história soa como uma narração de além túmulo. A perda de Ra’s al Ghul pode ser uma terrí­vel perda para o mundo.

Ra’s al Ghul está prestes a ser introduzido í  grande massa da cultura pop com o lançamento do novo filme do Batman. Alguns espectadores irão correr para as lojas de quadrinhos em busca de histórias sobre o Batman, e possivelmente sobre os vilões, incluindo Ra’s al Ghul (apesar de suspeitar que o Espantalho, que também aparece no filme, terá um apelo maior). Se eles fizerem, lojistas experientes vão guiá-los na direção da soberba Demon’s Quest, mas alguns leitores irão acabar levando este “Ano Um”. Se este for o caso, eles vão se encontrar perdidos, e desapontados, levando em conta que Ra’s al Ghul está morto. Infelizmente, esse neófitos não serão os únicos. Leitores de quadrinhos que não leram Death and the Maidens estarão tão perdidos quanto. Lojistas farão bem se tiverem Death and the Maidens no estoque junto com as cópias de Batman / Ra’s al Ghul #1

Ra’s al Ghul sempre foi um dos meus vilões do Batman favoritos. O Coringa tem apelo por causa de sua indecência imprevisí­vel, ams o prí­ncipe palhaço do crime já foi usado í  exaustão, chegando ao ponto que consegue pouco impacto hoje em dia como um personagem. Ra’s al Ghul, entretanto, sempre foi abençoado com bons escritores, e foi usado com parcimônia. Eu suspeito que seu apelo como vilão caiu com os anos, mas os escritores que puderam usá-lo em suas histórias parecem ter um grande respeito pelo personagem. Gail Simone parece ser esse tipo de escritor; ela criou uma magní­fica eulogia para o mais diabólico e inteligente oponente do Batman.

DC Comics
Escritor: Gail Simone
Desenhos: Paul Gulacy
Arte final: Jimmy Palmiotti

Por Chad Boudreau

Publicado originalmente no site Comic Readers

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